terça-feira, 22 de março de 2011

"Sacerdócio"

Afinal, qual patriarca
nos propôs este propósito?
Esquentar-se num feixe de luz,
exíguo no exílio do depósito?

Esparar a migalha perene,
daquele que não nos teme?
Aguardar o retorno solene,
deste que partiu levendo o leme?

divagar devagar retendo
o receio das armadilhas?
que esperando o mal,
espalhamos por nossa trilha?

Combalir em frente ao dono,
sentando ao trono não esboça compaixão.
Saber que nos resta o pó, e só,
para um retilíneo irmão.

domingo, 20 de março de 2011

esteja sempre preparado para o que você nunca viu,
pois virá abrupto e intenso, sem a menor intenção de ser visto...

"Cápsula temporal"

Seus olhos bem abertos em alta definição,
não definem o que outros entreabertos vêem até na escuridão.
Sua pele impermeável, com mania de hidratação,
já não sente as gotículas que precedem a precipitação.
Pernas sempre confortáveis sobre rodas, rodas e palpitação,
não rodam, pulam, correm por corriqueira aparição.
Heróis, cosmonautas e medo do escuro sucumbiram em sua cabeça,
dinheiro, maturidade, paralisia, espero que eu nunca cresça.

(Alexandre Pinheiro)

terça-feira, 1 de março de 2011

insônia

Assumi essa vaga
para vagar vagabundo
em meio aos meus devaneios
devastados por vastos
mares de cobiça,
porém não vos cabia
tamanha empatia
com único intuito de empatar
minha momentânea alegria
que se manteve alheia
as intempéries desse dia.

(Alexandre Pinheiro)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011